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Talheres
Essa matéria foi publicada na íntegra na edição 259. Como continuamos recebendo essas imagens com muita freqüência, resolvemos publica-la outra vez.
Desde o tempo em que o homem das cavernas fazia as suas
pinturas na parede, vivemos ligados a arte e a religião. Naquele
tempo o nosso irmão artista ia para o fundo da caverna, no local
mais escondido, com uma tocha queimando gordura animal, um fumaceiro desgraçado,
um cheiro infernal, e ele lá, pintando antílopes, mamutes
e outros bichos do seu tempo. Aquela pintura não tinha um objetivo
estético, do contrário seria feita na entrada da caverna,
onde todos poderiam vê-la. Era um ato de magia. Retratando o animal,
o homem o aprisionava, garantia a sua caça. Aquele ritual assegurava
a sobrevivência. Foi a primeira atuação da arte em
nossas vidas.

Dois simples garfos – um piano e o pianista
Depois disso começamos a fazer arte em todos os lugares e usando
todos os materiisl disponíveis, a começar pelo barro que
era muito abundante e fácil de ser moldado. A única ferramenta
necessária era uma mão contra a outra. Secava-se a obra
de arte ao próprio vento, com o simples calor do sol. Tudo muito
fácil e chegou até nossos dias alguns desses trabalhos,
feitos antes do surgimento da escrita e que se constituem hoje nos mais
antigos vestígios de nossa história. A arte precede a civilização.
A arte surgiu praticamente com os primeiros lampejos de inteligência.
Enterrávamos os mortos e pintávamos nas cavernas. Éramos
artistas e religiosos. Diferíamos dos macacos.

A mesa está servida – peguem seus talheres
Na medida em que fomos evoluindo, diversificamos no uso de materiais
para fazer a nossa arte. Os metais, principalmente o ouro, as tintas,
cada vez mais sofisticadas e elaboradas, tudo foi sendo usado. Nem sempre
os produtos foram criados para fazer arte mas, uma vez incorporados em
nosso cotidiano, muito rapidamente foi sendo utilizado para questões
estéticas ou religiosas. Isso vale da prata ao plástico,
do ouro ao acrílico, da escultura em pedra até os desenhos
feito a laser.

Uma banda completa – só falta você
O uso de talheres foi uma evolução. Antes, comíamos
com as mãos e aos poucos fomos incrementando alguns instrumentos.
O prato, a faca, a colher, tudo foi surgindo aos poucos e independentemente.
Cortava-se a carne com a espada ou uma faca mais apropriada. Sorvia-se
a sopa diretamente na tigela, antes do advento da colher. Garfos vieram
depois de tudo, pressupomos. Era tudo muito simples e só aos poucos
fomos caminhando rumo a sofisticação disponível hoje,
com copos e talheres apropriados para cada tipo de comida.

Amantes e adversários – história que não tem
fim
Mas há quem use os talheres unicamente para fazer arte. Quem nos
mandou as imagens foi Beatriz Mignone e junto com elas não veio
nada explicando onde os trabalhos foram feitos e muito menos por quem.
Se alguém souber, por favor nos informe. Beatriz Mignone é
aquela moça bonita que pinta flores, retratos e nos presenteia
também com pinturas surrealistas bem instigantes, como a Sinfonia
em Sol Maior, na qual coloca teclas de um piano em ondas do mar. Ela fez
apenas um comentário: “amei!” De fato o trabalho é
muito criativo e não é nada fácil transformar dois
simples garfos em um par de espadachins ou um ato de amor. A elegância
com que o artista nos brinda com suas pequenas grandes esculturas é
simplesmente arrebatadora.

Trabalho complicado - experimente
E deve ser complicado trabalhar esse material, extremamente duro e que
precisa de ferramental específico e provavelmente se faz necessário
aquecer bem o material. Pela aparência é possível
deduzir que são talheres de boa qualidade, muito distantes daqueles
garfos que entortam quando se quer espetar uma pizza. Esses devem servir
apenas para derreter e transformar em chapa. No próximo restaurante
em que almoçar, tentarei alguma experiência. Espero que o
pessoal não se aborreça. Depois eu conto.
Beatriz Mignone
biaatelier@hotmail.com
www.artmajeur.com/biaatelierdeartes
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