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Dorle Lindner
Descobri Dorle
Lindner faz muito tempo, em um belíssimo livro que tenho,
de David Douglas Duncan, um fotógrafo. O livro chama-se Visões
Secretas e é dedicado a mim. Quer dizer, está escrito lá,
no lugar da dedicatória: "dedicado à fantasia que existe
em você". Então, o livro é dedicado a minha fantasia.
Nesse caso o livro é dedicado a muita gente que acessa CyberArtes
também porque, a tirar pelas correspondências que recebo, reunimos
aqui um monte de gente cheia de imaginação e sensibilidade.
Um dia ainda vou organizar essa correspondência e mostrar a vocês.
Nesse momento estou com minha correspondência atrasada porque mudei
de casa e ainda estou sem acesso à web. Vou atualizar brevemente
e vocês vão desculpando aí. Mas recebo coisas lindas.
Explicações de pessoas cultas que me enriquecem, pedidos de
informação, gente que se emociona com a história dos
artistas, gente que critica, gente que corrige e enriquece, gente que se
comunica só porque está com vontade, gente que pede ajuda,
gente em busca de conteúdo para tarefas de escola, todo tipo de coisa.
Algumas dessas pessoas são muito severas comigo e me obrigam a pensar.
Outras são muito carinhosas. Enfim,... pessoas idosas, crianças
e adultos, toda essa gente, freqüentemente com mais de 500 acessos
em um único dia, à fantasia de todas elas, o autor dedica
o seu livro. A você, inclusive.

A história de Dorle Lindner, contada por ela, tal como está
lá, me pareceu tão deliciosa que vou copia-la na íntegra.
Não tenho como e nem quero muda-la nem um pouco. Vou só fazer
uma introdução. O Sr. Duncan preparava-se para deixar o hotel
onde estava em Nova York, quando uma jovem funcionária encarregada
do trabalho simples de entregar correspondências, se aproximou e perguntou
se ele é quem tinha fotografado o trabalho de Picasso. E pediu para
que ele examinasse o que ela fazia. Ali ele descobriu Lindner e mais tarde,
quando mostrou os trabalhos ao próprio Picasso, ouviu o comentário:
"Ela também tem o seu próprio mundo." O que se segue,
são palavras de Dorle Lindner, tiradas do livro de Duncan.

"Nunca vendi um quadro e tampouco tive a intenção de
expô-los. Quando os dou de presente, são apenas quadros. O
meu mundo pertence a mim."
"Nasci em Berlim na primavera de 1942 em plena guerra. Lembro-me de
um garoto chamado Helmut, a correr empurrando-me em um carrinho, por uma
rua onde eu via apenas casas bombardeadas - escombros. Em 1945, fugimos
com a mamãe para a Bavária. Não dispúnhamos
de brinquedos e eu vivia em um mundo de fantasias e contava histórias
diariamente para minha irmã. Aos 4 anos, senti-me, pela primeira
vez, inspirada a desenhar, depois de folhear um livro ilustrado. Aos seis
anos criava árvores que vestia com longas saias formadas por folhas.
Mais tarde, quando já estava na escola, na Suíça, ganhei
de uma colega sueca, um pedaço de papelão branco coberto com
caulim - um verniz negro e resistente, sem brilho. O artista deve perfura-lo
com qualquer instrumento afiado e desse modo pode gravar imagens de matizes
diversos e obter medidas variáveis de fragilidade."

"Senti-me fascinada por aquele processo e lancei-me sem demora ao trabalho,
munida de uma lixa de unhas. Logo passei para um alfinete de chapéu
e, por fim, aos estiletes usados pelos gravadores profissionais. Nunca recorri
a esboços ou lentes de aumento; idéias e imagens pareciam
me ocorrer naturalmente - e isso ainda acontece."
Durante algum tempo fui aluna de uma escola de arte em Munique, mas sentia
um tédio mortal pois mandavam-me pintar temas como 'homem andando
com seu guarda chuva aberto' , e deixei de assistir às aulas. Parti
para Nova York, a fim de visitar museus e aprender inglês. Agora estou
considerando a possibilidade de visitar diversos planetas novos e fantásticos.
Eles são reais e irreais, quem sabe?"

"Nesse momento estou deitada no jardim e meus filhos brincam ao meu
redor, a espera da história de hoje. O sol brilha e da grama evola-se
um odor agradável. Muito já se escreveu sobre o paraíso
e alguns autores são capazes de indicar a sua localização
exata. Ora, já voei por toda parte e vou lhes contar um segredo:
O paraíso fica aqui - e eu tenho meu quinhão dele."

Eu acho o trabalho de Dorle Lindner muito bonito. Por conta dos detalhes
estou mostrando imagens completas e pedaços em destaque dessas imagens.
São fantasias onde monstros parecem risonhos e nada apavorantes.
Parecem figuras de carnaval, sem que provavelmente tenham nada a ver com
o assunto. Planetas giram livremente entre criaturas fantásticas.
Fantasias que dançam alegremente, criadas e transformadas em realidade
imaginária. Um palhaço aquático patina na neve de braços
abertos. Um rei gigantesco copula com uma fada formada por uma mistura de
pássaro e gente. Dragões, patos, unicórnios formam
quase uma mesma figura e se misturam enigmaticamente. Aquele mundo existe
no imaginário da artista e conta a história das suas emoções,
da sua infância e desenvolvimento, desde quando inventava histórias
para sua irmã. Bela escolha a de Duncan. Feliz dia, aquele em que
o fotógrafo encontrou a artista na portaria de um hotel.
Dorle Lindner
deve ter contado uma história hoje, para alguma criança em
sua vida. Os filhos, provavelmente já crescidos, talvez tenham herdado
esse poder também. Enquanto conta as suas histórias, talvez
perambule pelo seu mundo mágico, povoado de seres não apenas
riscados no caulim mas em plena atividade em sua imaginação,
seres com os quais conversa e troca sorrisos. As suas histórias devem
ser bem interessantes. |

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