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Remédios Varo

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É difícil imaginar uma mistura harmônica entre a ciência e a fantasia mas em arte, tudo é possível porque a arte não tem limites nem fórmulas restritivas. Através de sua pintura, Remédios Varo, uma artista apaixonada pela ciência, mistura fórmulas matemáticas e complexos conceitos físicos, com um mundo mágico de fantasias e seres surrealistas, criados inteiramente em sua imaginação. O resultado é uma pintura fantástica que aparece em manuais de matemática e tratados científicos como ilustração de conceitos complexos que poucos podem compreender fora do mundo da ciência.

 

  

 

 

Varo nasceu na Espanha, perto da Barcelona de Gaudi, em 1908. Lá recebeu uma forte influência de seu pai que era engenheiro e lhe apresentou ao mundo da ciência e também da arte. Apaixonou-se pelos dois. Em 1942 mudou-se para o México, onde residiu até a morte em 1963.  No México é uma artista conhecidíssima e super valorizada mas só agora está sendo descoberta no resto do mundo, inclusive na sua Espanha de nascimento.

 

 

 

O primeiro trabalho de Varo a ser mostrado nos Estados Unidos não aconteceu em um museu ou galeria. A Academia de Ciência de New York publicou um manual sobre a teoria da relatividade e escolheu o quadro “Fenômenos da Ingravidade”, de Remédios Varo, para ilustrar a obra. Um outro livro, sobre a história da matemática, chamado de “The Story of i” , bem mais recentemente, em 1998, traz o quadro “Harmonia” na capa.  Ressalte-se aqui que “i” é como se representa a raiz de menos um, que vem a ser um número imaginário, um conceito matemático que foge a compreensão da maioria das pessoas.  Se me perguntarem o que é isso eu fico assobiando e fingindo que não é comigo. Acho que deve ser uma coisa muito complicada e ainda bem que Ronaldo não está aqui, do contrário iria querer me explicar e realmente,..... não da.

 

 

 

  

 

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Fenômeno da Ingravidade mostra planetas que flutuam e que atravessam paredes e janelas que parecem deslocar-se e existir em universos diferentes, de uma forma tão incomum como os fenômenos da relatividade descritos pela ciência. Essa questão, que tem sugerido uma incontável quantidade de histórias de ficção científica e pseudo científica, sugestionou também a artista em sua criação e em sua obra é comum a figura de engrenagens, aparelhos de laboratório, medidores de diversos tipos, máquinas, fórmulas matemáticas e figuras que lembram o mundo da ciência. Só que, ao contrário de um verdadeiro laboratório, tudo isso está misturado com seres irreais, figuras que se metamorfoseiam magicamente, sonhos que se materializam e fenômenos que só são verdadeiros no mundo da imaginação e da arte. Três séculos atrás e Remédios Varo poderia ser olhada como bruxa.

 

 

 

As pinturas de Varo nos fazem retornar no tempo, até a Idade Média, pelas roupas e pelos castelos que ela cria em seu mundo de fantasias. Também pelo ambiente de ciência alquimista que existia naquela época, que misturava o verdadeiro conhecimento e o experimento com a especulação meramente imaginativa e invencionice religiosa. Remédios Varos lembra Hieronymus Bosch, lembra Salvador Dali e lembra Badida, o que bem demonstra a força de sua arte. De certa forma, é surpreendente que só agora a Europa esteja conhecendo a sua obra de forma ampla mas esse é um mal do qual padece todo artista lançado fora do eixo dos paises ricos. O que seria de Frank Sinatra se tivesse nascido em Sergipe? Claro, poderia superar todos os obstáculos mas o caminho certamente seria mais difícil. Alguém quer citar exemplos? 

 

 

 

 

Varo é uma mistura desde o nascimento. A mãe era uma Argentina profundamente religiosa e severa na educação. O pai era um espanhol de origem basca formado em engenharia e que tinha o espírito voltado para a ciência. A família viajou por toda a Espanha e norte da África e Remédios Varo estudou em muitas diferentes escolas, sem esquecer da arte. Aprendeu com os clássicos mas estudou desenho industrial, perspectiva e coisas do gênero. “ Usei tudo o que aprendi “, viria a dizer depois. Conheceu Dali, Magritte, viveu em Paris e fugiu da guerra em um paquete português, de Casablanca para o México, através de uma ação americana de apoio aos refugiados. No México permaneceu, adotando o país como sua pátria, mesmo quando o marido, o segundo, na verdade,  retornou para a Europa.

 

 

 

Desenhou anúncios publicitários para a indústria farmacêutica, fez decoração para restaurantes, trabalhou com a recuperação de objetos de arte em cerâmica, enfim, fez de tudo para sobreviver. Quando casou pela terceira vez, ganhou uma estabilidade financeira que lhe possibilitou dedicar-se inteiramente a sua arte. Uma sorte para ela e para o mundo. Remédios Varo deixou um legado de rara beleza e grande profundidade especulativa. A sua maneira de misturar arte e ciência com grande quantidade de imaginação criativa, nos coloca diante de uma obra onde nos detemos para pensar, onde a observação não fica só na apreciação, na contemplação, mas nos transporta por devaneios imaginativos onde nos perguntamos sobre as verdades do Universo e das leis que regem o nosso mundo.

 

 

 

 

Em Criação das Aves a artista supera a si mesma. É fantástico o ambiente de alquimista medieval e bruxaria científica. A própria entidade central do quadro, uma mistura de ave e humano, resulta de um ato de bruxaria, de uma metamorfose impossível  e que se torna realidade no mundo de Remédios Varo. Ao artista, tudo é permitido, e nos pinceis mágicos de Varo, o mundo da imaginação se concretiza de forma sólida e inegável. Mostramos um pouco aqui em CyberArtes, para quem quiser ver.

 

                                                           Por Rê Rodrigues – Aprendiz de Alquimista

 



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