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BRUNELLESCHI

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Felippo Brunelleschi é mais um entre os muitos nomes de artistas que fazem de Florença, na Itália, um grande museu ao ar livre. Michelangelo, Dante, Maquiavel, Donatello, Vasari, Zuccari, Giotto, Andréa Pisano e, obviamente, Brunelleschi são nomes famosos que fazem parte de uma relação quase interminável de pintores, escultores, arquitetos, filósofos, escritores, poetas e todo tipo de artista que viveu ou passou por Florença, deixando a sua marca.  A cidade está repleta de afrescos, esculturas, pinturas e monumentos como se ali, propositalmente, uma exposição tivesse sido organizada com o objetivo de permanecer ativa através dos séculos.  Florença é uma das grandes capitais da arte no mundo, um lugar onde se anda pelas ruas como se estivéssemos percorrendo um museu organizado pela história. Na verdade, isso não chega a ser uma coisa rara na Itália. Pode-se dizer o mesmo de Roma, por exemplo.

 

 

 

A grande Catedral de Santa Maria Del Fiori - Florença

 

Brunelleschi nasceu em Florença em 1377 e morreu em 1446 na mesma cidade. Em princípio, queria ser escultor mas atuou mais fortemente como arquiteto.  Brunelleschi fazia objetos usando pedras preciosas e fabricava relógios, procurando soluções para os mecanismos de medir o tempo.  Foi através de Donatello, de quem tornou-se grande amigo, que entrou no mundo da escultura.  Donatello havia feito um Cristo pregado na cruz e Brunelleschi comentou que a figura do Cristo parecia a de um homem comum do campo. Aborrecido, Donatello o desafiou a fazer melhor. Foi assim que Brunelleschi fez um crucifixo que ainda hoje adorna a Igreja de Santa Maria Novella.  Tem-se o registro de que Donatello, ao ver a obra terminada, disse: “A ti foi concedido talhar o Cristo.  A mim foi concedido talhar os homens do campo.”

 

  

 

Donatello e Brunelleschi – Homem do campo e Cristo

 

O grande desafio colocado na carreira de Brunelleschi foi a construção da cúpula projetada para a Catedral de Santa Maria Del Fiori, hoje um ícone de Florença. Na ocasião foram reunidos todos os artesãos da região para se discutir uma maneira de realizar o projeto.  Muitas propostas foram colocadas, incluindo uma onde se sugeria preencher o espaço vazio com areia misturada a moedas de ouro.  Depois de erguida a cúpula se convidaria as pessoas para tirar a areia, com a promessa de que ficariam com as moedas encontradas.  A solução era fisicamente inexeqüível mas não parecia inteiramente absurda para a época.

 

 

 

A famosa cúpula – inovação na tecnologia

 

A idéia de Brunelleschi também era incomum pois sugeria a construção da cúpula sendo sustentada por si mesma, sem suportes de madeira a serem retirados depois da construção.  Ele criou mecanismos para transportar os matérias e suspende-los até o local desejado. Fez, a um só tempo, o trabalho de artista, arquiteto e engenheiro, incluindo nisso a criação das máquinas.  É bom lembrar das limitações que existiam naquela época distante.  O trabalho de Brunelleschi foi genial e ainda hoje, passados seis séculos, é admirável. 

 

 

  

Cenas do grande museus ao ar livre que é a cidade de Florença  – artista e arquiteto

 

Durante a construção, um trabalho tecnologicamente muito avançado e complexo para o momento histórico, Brunelleschi enfrentou uma greve geral dos operários, como reclamação pelos salários que recebiam.  Sem dar-se por vencido, o arquiteto foi para as ruas de Florença e começou a convocar os mendigos da cidade, sob os olhares irônicos dos antigos operários.  Começou então a ensinar-lhes o ofício e a obra voltou a ser tocada de uma maneira aproximada da normalidade.  Os antigos operários acabaram por render-se e pediram o emprego de volta.  Brunelleschi impôs que trabalhassem por um salário ainda menor.  Embora essa não seja a atitude que se espera de um moderno empresário, e possa ser condenada mesmo no mundo antigo, a história serve para mostrar como o artista tinha domínio sobre a condução dos fatos.  Brunelleschi deve ter sido admirado, temido e odiado em seu tempo.  Hoje, resta apenas a admiração.

 

   

 

Hospital dos Inocentes e o David de Donatello - Florença

 

Já consagrado e em busca de novos caminhos, Brunelleschi vendeu terrenos que possuía em Florença e junto com seu inseparável amigo Donatello, seguiu para Roma. Ali procurou compreender as antigas construções romanas, tirando medidas de todas as coisas. Os romanos pensavam que aqueles dois mal vestidos estavam procurando riquezas escondidas e eles ganharam o apelido de caçadores de tesouros mas a verdadeira riqueza que buscavam era o conhecimento e a compreensão de como os antigos  conseguiam as formas harmoniosas nas construções.  De volta a Florença, Brunelleschi tornou-se um marco do renascimento arquitetônico italiano e, como arquiteto, superou sua fama como escultor.

 

                                                           Por Ronaldo Carneiro Leão – Pensando em Florença

                                                           E Rê Rodrigues – Pensando em Olinda



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