| Clube
do fusca de Pernambuco
Na adolescência Paulo Bompastor tinha o sonho de possuir
um Karmann Ghia vermelho. Era um sonho comum, compartilhado por todos
os rapazes da época, mas, privilégio de uns poucos e Paulo
não se incluía nesse grupo. Não tinha nem idade para
tentar. A vida foi seguindo, Paulo virou empresário, foi acertando
daqui, tropeçando acolá, mas no cômputo geral as coisa
foram dando certo. Idade adulta, maturidade chegando e um belo dia, conversando
em casa com a mulher, resolveu de repente: “vou comprar um Karmann
Ghia pra mim”. Presente bem merecido. Um carro esportivo, avançado,
moderno, quer dizer, isso na época da adolescência de Paulo.
Hoje é carro antigo, com mais de 30 anos e não foi fácil
encontrar um. Precisou pesquisar e ter um pouco de sorte.

Karmann Ghia 1969 – Paulo Bompastor
O primeiro Karmann Ghia de Paulo era ano 1971. Foi descoberto em uma
pequena loja de automóveis em Olinda, escondido atrás de
outros carros à venda. Depois de uma grande luta com o proprietário
da época, o carro foi adquirido em péssimo estado. Para
o carro foi bom, porque entrou logo em uma oficina, para uma operação
plástica completa, que durou 6 meses e custou muito mais do que
o carro. “Eu ia para a oficina todos os dias, ficava lá até
as oito ou nove horas, acompanhando os progressos e ouvindo música
brega. Aprendi todas as músicas bregas da época.”.
E cantarolou para nós: “decidi tirar você da minha
vida, não tem volta é pra valer, estou decidida...”,
que nós aqui não identificamos. E o Karmann Ghia vermelho
entrando na vida de Paulo. E o sonho se realizando.

Fuscas e todos os tipos – bandeiras brasileiras
Quando finalmente o sonho ficou pronto, ele resolveu ir a uma reunião
de colecionadores de carros antigos, que sabia acontecer na Av. Boa Viagem.
Organizou-se todo e foi. Na descida do viaduto, olhou pelo retrovisor
e teve o maior susto: atrás dele, vinham 2 Karmann Ghias. A reunião
atraia esse tipo de pessoa e se cumprimentaram ali mesmo, no viaduto.
Era o início de uma intensa curtição por carros antigos.
Hoje Paulo Bompastor é Diretor Social do Clube do Fusca de Pernambuco
aqui no Recife e viaja para lugares distantes, só para se reunir
com outros proprietários e colecionadores. É um grupo interessante,
formado por colecionadores, donos de dezenas de carros antigos, super
valiosos e outros que são donos de fuscas e o carrinho é
tudo o que tem na vida e trabalham com ele diariamente. Conversam animadamente,
cada um com seu tesouro, numa parceria igualitária de fazer inveja
a qualquer regime político.
Fuscas e derivados – assunto também para as meninas
Gostar de Fusca e seus derivados, é assim como uma religião.
Não existe nenhuma racionalidade no assunto e um carro desse tipo
não tem realmente preço estabelecido. Depende da paixão
de quem vê o carro em um encontro eventual e decide que o deseja
para si. Os “Paulos” da vida, são frequentemente pessoas
bem sucedidas financeiramente e trabalham a semana inteira usando carros
novos e sofisticados, mas no final de semana saem por aí dirigindo
DKWs, Buicks, Balairs hollywoodianos e até Romisetas, sem qualquer
conforto como direção hidráulica e com retrovisores
que não seriam aprovados hoje por nenhuma norma de segurança.
Marcam encontros semanais em pontos estratégicos da cidade (em
todas as cidades de bom tamanho) e dão um verdadeiro espetáculo
enquanto conversam animadamente. Qual é o papo que rola? Há
há! Tente adivinhar!
Maquiagem completa – o antigo virou novo
Paulo Bompastor ficou um tempo com a sua paixão mas, encontrou
por acaso com um colecionador da Bahia. Foram meses de luta, o bahiano
ligando todos os dias de Salvador e aumentando o preço porque lá
não tinha Karmann Ghia e ele queria um de todo jeito e Paulo aqui
resistindo. Um dia o bahiano ligou: “vou lhe fazer uma oferta que
se você não aceitar você é muito burro.”
Paulo respondeu: “quer dizer que se eu aceitar o burro é
você?” O bahiano concordou e fez a oferta. Tinha recebido
em um negócio um carro novo, de luxo, bem distante de um carro
popular, com todos os apetrechos e opcionais e o oferecia inteirinho,
sem volta ou mais delongas, em troca do Karmann Ghia 71, reconstruído.
Paulo fez o charme de quem ia pensar, comprou outro Karmann Ghia ano 1969,
de um carinha que o possuía quase desde novo. Estava no jardim
da casa, sem uso e protegido por uma capa plástica. Era motivo
de arengas enormes com a mulher que já havia dado o ultimato:”ou
eu ou o carro”. O tal carinha já havia decidido pelo carro,
mas aí surgiu Paulo, ofereceu um bom dinheiro, a mulher fez umas
ameaças e o carro mudou de dono. O carro era quase todo original,
o mais original que Paulo já havia descoberto e só então,
com o Karmann Ghia novo garantido, quer dizer, com o Karmann Ghia ainda
mais antigo garantido, fechou o negócio com o bahiano. O carro
está com ele até hoje. O Karmann Ghia, é bom esclarecer.
O outro só valia dinheiro.

Você gostaria de um carro assim? – É só comprar
O negócio de carros antigos é simplesmente bilionário.
Bill Gates é um colecionador, mas quando se tem tanto dinheiro
como ele a coisa perde um pouco o sabor da luta, do garimpo por uma preciosidade
encostada em um canto e que pode ser recuperada passando-se meses indo
todas as noites ouvir música brega na oficina, o zelo do cotidiano,
a busca de uma peça necessária, essas coisas. Tem carro
com 40, 50 anos e ainda com os pneus originais. Para conservar a borracha
flexível é preciso protegê-la com hidratantes especiais,
enfim... uma trabalheira tudo isso e é provável que Bill
Gates não possa se dar a essa dedicação. Dentro desse
segmento, os Fuscas ocupam um lugar muito especial e formam, isoladamente,
uma comunidade impar. Não há um afastamento dos outros colecionadores
mas o Clube reveste-se de características próprias. É
possível encontrar proprietários de fuscas e derivados de
todos os tipos e tamanhos, incluindo aí aquele cuja única
propriedade é o tal fusca, o que não acontece com colecionadores
de antigos carros americanos e europeus, no Brasil. Pertencer ao Clube
do Fusca de Pernambuco é mesmo parecido com uma religião.

Para sair voando por aí e para ultrapassar todos os obstáculos
- diversidade
Recentemente aconteceu um encontro em Águas de Lindóia-SP
e serviu para mostrar o dinamismo e força do setor. Sempre está
acontecendo algum encontro desse tipo. As ruas da cidade foram invadidas
e quilômetros antes do local de concentração o comércio
de peças originais e novas, fabricadas artesanalmente, superou
todas as expectativas. Paulo estava lá. Deve ter ficado meio tonto.
Falou-nos sobre isso com um entusiasmo de criança e todos os outros
assuntos de que fomos tratar, ficaram em segundo plano. Na verdade saímos
de lá satisfeitos de termos conseguido falar das outras coisas.
Paulo nos mostrou revistas especializadas e material publicitário
que demonstra bem o vigor do mercado em volta do Fusca e seus derivados.

Para famílias pequenas e grandes –
flexibilidade dos modelos
Os carros são valorizados pela originalidade e conservação,
mas outros destacam-se pelo ineditismo, pela transformação
que sofreram e pela fantasia que ganharam. Alguns nem parecem mais Fuscas.
É possível ver limusines, caminhonetas, jeeps e verdadeiros
tanques de guerra. Há quem faça do seu fusquinha uma festa,
com som incrementado e cores vibrantes. O cuidado com que os carros são
preparados, são uma demonstração de amor e da dedicação
que se coloca no planejamento e na execução do que deve
ser uma fabricação completamente nova. Mas vale principalmente
a originalidade do carro, mantendo-o da mesma forma como foram apresentados
ao mercado como a última novidade, com documentação
original e nota fiscal da fábrica. Nisso está a grande curtição
da maioria.
Aqui no Recife você pode ver essas maravilhas todas as terças-feiras,
na Av. Boa Viagem 3º. Jardim, a partir das 20h. Outro local de encontro
é nas quintas-feiras, também às 20hs, na Praça
de Casa Forte. Se você quiser algum contato, pode ser pelo telefone
(081)2101.6400 com Paulo Bompastor, que é Diretor Social do Clube
do Fusca de Pernambuco. Ou por e-mail paulo@dispertar.com.br
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