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(nº 434) |
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| Rogério
Silva
Rogério elabora primeiro o trabalho em sua mente. Surge uma idéia básica, a partir de algum acontecimento, de um comentário ou de um fato e ele começa a preparar todo o projeto mentalmente, incluindo nisso formas e cores. Quando tudo fica pronto no cérebro então é hora de fazer algum esboço mas ele não detalha muito nessa fase. O mais comum é que os esboços sejam simples e o trabalho comece logo na tela. As correções e mudanças são praticadas nesse momento, já com a obra em execução. O artista não vacila sobre o que deseja atingir e acorda no meio da noite para fazer correções ou complementar um trabalho. Ama a perfeição de um modo compulsivo.
Rogério é autodidata. Não teve a oportunidade de muito estudo de arte, embora desenhasse desde menino, copiando ferozmente os desenhos das revistas de quadrinhos. Passava horas fazendo isso mas não freqüentou escolas de arte. É um dos sonhos de agora. Pretende estudar, principalmente a pintura clássica dos grandes mestres, dos quais recebe uma influência que procura colocar no tempo de hoje. Percebe-se isso em seus trabalhos. Percebe-se também que desenvolveu uma técnica por conta própria que lhe garante o direito de ensinar e ser professor. Em seu estúdio ele ensina aquilo que aprendeu sozinho, montado em uma grande dose de talento e muito esforço.
Há um erotismo envolvente na construção de todas as telas. Em cada uma delas expõe-se uma emoção de sensualidade como uma declaração. O artista coloca-se virtualmente ou traduz o que observa mas o fato é que denota-se facilmente uma conotação poderosa dessa sexualidade latente em todos os pontos. Há também um recado, uma opinião, um posicionamento. O resultado são telas que merecem uma observação detalhada e uma leitura interpretativa que vai muito alem do belo e do que se vê com os olhos. Rogério é para ser lido com o coração, compreendido com a alma e sentido com o íntimo do ser. Dizer que as telas são bonitas é muito abaixo do que de fato se pode falar.
As cores contracenam harmoniosamente entre si e complementam as formas meio abstratas. É um jogo que parece estudado mas deve vir do âmago do artista de modo instintivo e natural. Rogério é um pouco aquilo que ele pinta. São raros os tons muito fortes. A força do quadro vem das formas que sugerem e da harmonia de cores que termina por destacar a idéia. O observador é forçado a ver imediatamente o destaque da figura central e envolver-se com o tema. Não há escapatória. Não se passa diante do quadro sem procurar pensar no que aquilo representa e significa. Claro que cada um responde por si e é próprio da arte receber uma grande diversidade de interpretações. O artista pensa uma coisa mas o observador pode ver outra. Isso constitui uma riqueza.
Rogério é um pouco introvertido e sua arte serve também como uma forma de comunicação com o mundo. O artista prefere estar sozinho quando trabalha e isso demonstra um traço de personalidade que o caracteriza e define. Sensível, é um pensador. Sua mente não para e sempre está desenvolvendo uma idéia ou um sonho, quer seja noite, quer seja dia. Não há momento de descanso para o cérebro, exceto quando chega o sono mas mesmo assim, sonha. E desperta do sono para corrigir um trabalho, para retocar um retrato que esteja pintando. Rogério também faz retratos mas não dispomos de nenhuma pintura desse tipo para apresentar.
O futuro tem muitos planos. Exposições, grandes obras, idéias guardadas, tudo esperando o momento certo. Diariamente o trabalho é no ateliê, onde pinta e da aulas.
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